Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

A vida são dois dias...

Costuma dizer o povo

Com a sabedoria que lhe é peculiar

 

No entanto a maioria

Vive como se fosse imortal

Preocupando-se com pequenos detalhes

Que não enriquecem

E apenas consomem tempo precioso

 

Acredito que apenas uma minoria

Pára, escuta e sente…

… A brisa que suavemente despenteia os cabelos

As gotas da chuva a rolar na pele

A areia molhada colada no corpo

Enquanto as ondas deslizam

Num embalo que adormece e envolve

 

Apenas alguns se perdem na magia

De contar as estrelas do céu

De dançar ao luar

De ver o seu reflexo no brilho doutros olhos

 

Apenas alguns provam o sabor do sal

Ao sentirem um arrepio com um toque

Ao gritarem contra o vento:  ‘Amo-te!’

Ao darem e receberem um abraço

Que pára os ponteiros do relógio

 

Apenas alguns escrevem palavras na areia

Sem se preocuparem se de seguida

O mar vem e as leva para longe

 

A vida são dois dias…

 

Sentir o fervilhar

Do sangue que corre nas veias

A cada segundo que se escoa

É a verdadeira sabedoria

De quem sabe que esses dois dias

Podem trazer-nos o vermelho dum céu de Verão hoje

Ou a sede do deserto amanhã

 

publicado por SRock às 08:48
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Inesperadamente

Quando menos estamos à espera

Acontecem-nos as melhores coisas da vida

Às vezes também as piores se atrevem a espreitar

E a assombrar-nos de forma repentina

Sem aviso prévio, sem pedir licença para entrar

Mas falo agora de algo que me deixou realmente feliz

 

Quando menos esperava

Encontrei-o no Face Book

Fiquei na dúvida…

Seria mesmo ele?

23 anos é muito tempo…

As pessoas mudam

Ficam com mais rugas

Mudam o corte do cabelo

Mudam de estilo de roupa…

 

Mas há coisas que não mudam

O sorriso não muda

A profundidade do olhar também não

Era mesmo ele…

 

Trocaram-se algumas mensagens

Marcou-se um almoço

 

Sónia Roque?

Aquela voz entrou no meu ouvido

Vinda num bafo quente e suave

 

Kiko?

Nos segundos que se seguiram

O mundo parou de girar

E num abraço apertado

Esmagaram-se longos anos de ausência

 

Tanto tempo deslizara no meio de nós dois

Como um rio que flui entre duas margens

Que não se tocam

 

Mas não havia constrangimento

Nem pausas entre as frases

Nem desvios de olhar

 

Havia sinceridade nas palavras que se soltavam

Havia prazer na partilha de histórias

Havia brilho nos olhos

No relato de momentos passados

 

Que bom ter-te reencontrado Kiko!

Vieste dar cor e magia à minha vida

Salpicar com flores perfumadas

A minha estrada de terra batida e sem cheiro

 

Inesperadamente...

 

Foi assim que nos encontrámos

Foi assim que percebemos

Que vibramos na mesma onda de energia

Que o tempo não destrói amizades

 

Valeu a pena 

Voltarmo-nos  a cruzar

 

Inesperadamente…

publicado por SRock às 08:58
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

A ampulheta da vida

Cada vida é uma ampulheta

Com grãos de areia

 

Quantos são?

Ninguém sabe...

 

Algumas ampulhetas

Estão cheias de grãos de areia

No entanto, parecem vazias

Porque os grãos apenas caem

Passam de presente a passado

Sem serem contemplados

 

Outras ampulhetas têm poucos grãos

No entanto, cada grão que cai

É respirado, vivido e absorvido

Como se fosse o último

 

Há também algumas ampulhetas

Em que só a areia já caída é valorizada

Olha-se para ela sem se dar conta

Que mais grãos continuam a cair

 

Há ainda as ampulhetas

Em que apenas se olha

Para os grãos que nem sequer ainda cairam

Perde-se demasiado tempo a pensar

Como poderão vir a ser

Mesmo sem se ter a certeza

Que existem e que vão passar no estreito do presente

 

E afinal é tão somente esse que conta

É o aqui e o agora

O presente da vida...

 

Se o grão seguinte é negro...

Nunca o poderemos saber...

Se o próximo é dourado...

Quem sabe?

 

Temos apenas que vivê-los

Com a emoção que cada um deles exige...

 

publicado por SRock às 21:43
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

A tasca do Paulo

Final de tarde…

Lá fora o mundo ainda gira

As filas de carros ainda deslizam devagar sobre o alcatrão

As pessoas ainda correm para apanhar o autocarro

E aos portões das escolas as crianças amontoam-se na pressa de irem para casa

 

À mesma hora

Na tasca do Paulo

Há um misto de paz e diversão

A porta faz de fronteira

Entre duas realidades distintas

 

Lá fora ficam os problemas

Ficam as agruras da vida

Os amargos de mais um dia igual aos outros

 

Lá dentro entram os sorrisos

Os abraços calorosos

Os apertos de mão firmes

 

Entre uma imperial e um pires de tremoços

Contam-se anedotas

Comenta-se o último jogo de futebol

Imagina-se o que se faria se saísse o Euromilhões

 

Os olhos brilham

As gargalhadas ecoam

E a música que passa na rádio completa um cenário

Onde todos se conhecem

Ou se passam a conhecer

 

O senhor Raul lê o jornal

Com os óculos na ponta do nariz

O João olha atento para a repetição do golo do seu clube

Enquanto acende mais um cigarro

E a D. Helena saboreia o seu café fumegante

 

Todos estão ali unidos com um propósito

Sentir o calor de quem faz uma pausa

Num espaço comum

A pessoas diferentes

Onde se trocam palavras soltas

Que se encaixam no vazio

Que faltava preencher…

 

publicado por SRock às 10:27
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Sentada num banco de madeira

Mais um mês, mais uma missa... e assim vai passando o tempo...

 

O tempo que não cura, ao contrário do que se diz...

 

O silêncio é ensurdecedor naquele espaço em que ninguém fala, em que se ouve cada respiração, o bater do coração e o pestanejar dos olhos.

Durante esses momentos há tempo para pensar em tudo... e para pensar em nada... para apenas esvaziar a mente... tarefa difícil!

A senhora na fila da frente ajoelha-se e reza de cabeça baixa e mãos em prece. O que pede, o que agradece, só ela sabe. Apenas se ouve uma ladainha impossível de decifrar mas que alguém lá em cima há-de entender se o mundo for perfeito. Que não é.

Até que o padre entra e todos se levantam. Este padre é diferente dos outros. Consegue transmitir paz, tranquilidade. Sente cada palavra que diz, medita em cada frase que pronuncia.

O seu olhar ilumina o mais escuro dos corações, a sua voz acalma a alma mais agitada.

Anuncia aos presentes que a missa é pela alma de Miguel Maria de Sousa e Melo. E um arrepio percorre o meu corpo de alto a baixo. É mesmo verdade... o meu Miguel...

'Que Deus esteja convosco', diz o padre... 'Ele está no meio de nós'... ecoam as vozes em uníssono...

Ele parece acreditar piamente no que diz... quem responde não tanto... Talvez apenas alguns sim, os outros apenas repetem uma frase que sabem que se diz em sequência da anterior. É um ritual. É assim há muitos anos e assim será por muitos mais.

 

As beatas cantam aleluia em vozes suaves e harmoniosas que ecoam nas paredes de pedra.

Recebe-se a hóstia e todos vão para casa mais aliviados, mais confortados ou exactamente na mesma como entraram.

Não foi perda de tempo, pelo contrário. Foi uma espécie de paragem no tempo para olhar um bocado mais para dentro de nós próprios. Quantas vezes nos permitimos fazê-lo? Quantas vezes estamos connosco próprios? Raramente... Esta é uma boa oportunidade de o fazer...

 

Daqui a um mês lá estarei novamente... sentada num banco de madeira...

 

 

 

publicado por SRock às 10:38
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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Se me perguntassem o que é que a vida já me ensinou, eu responderia...

 Ensinou-me que pode não haver amanhã mesmo que tenhamos feito muitos planos

Que mesmo que o sol brilhe muito agora, pode já não brilhar daqui a pouco

Que a palavra ‘amo-te’ é proferida vezes demais porque quem não a sente e vezes de menos por quem a sente

Que quando caímos temos sempre duas opções: ou continuamos caídos ou levantamo-nos

Que devemos sempre ouvir os outros quando precisam que alguém os escute

Que não devemos ter vergonha de pedir ajuda quando precisamos

Que não devemos conter as lágrimas quando temos vontade de chorar

Que um amigo é quem está ao nosso lado mesmo que esteja fisicamente distante

Que às vezes um abraço forte e sentido vale mais do que mil palavras

Que às vezes precisamos de fazer disparates e seguir por caminhos menos certos

Que há almas com a mesma vibração que a nossa

Que devemos dar sempre uma segunda oportunidade a nós próprios

Que o facto de falharmos hoje não significa que falhemos sempre

Que o facto de hoje estarmos no fundo dum abismo não significa que não consigamos sair dele

Que por cima do céu mais nublado há sempre um sol brilhante

Que a semente mais tosca dá frutos lindos se cuidada da forma correcta

Que um sorriso dado a alguém na hora certa pode fazer a diferença mesmo que nunca o venhamos a saber

Que mesmo de joelhos podemos continuar a caminhar

Que uma hora de exercício físico por dia pode ser viciante e libertar a nossa mente

Que um desafio pode unir duas pessoas

Que devemos viver os momentos dourados das nossas vidas com toda a intensidade

Que assistir ao nascer do sol pode significar assistir ao nosso próprio renascer

Que se conseguirmos gritar mais alto que o som das ondas do mar a seguir nos vamos sentir muito melhor

Que correr na praia de manhã cedo pode alterar todo o dia que ainda temos pela frente

Que dar a mão não é apenas entrelaçar os dedos

Que os cheiros nos fazem transportar no tempo

Que uns olhos brilhantes iluminam mais que uma lâmpada

Que a palavra saudade tem um significado muito mais forte do que muitas pessoas lhe atribuem

Que quando se perde alguém muito querido a ferida nunca sara

Que o sabor da dor é salgado, arde mas não cura

Que quando temos dois caminhos para optar, devemos seguir o do primeiro impulso

Que o medo nos impede muitas vezes de sermos felizes e vivermos experiências únicas

Que se não acreditarmos em nós próprios mais ninguém o fará

Que mais que alimentarmos o corpo devemos alimentar o espírito

Que às vezes estar sozinho pode ser muito bom para nos conhecermos melhor

Que quando temos muita sede a melhor coisa que podemos fazer é beber água

Contudo ainda não sei o que vim cá fazer…

 

publicado por SRock às 15:26
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