Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012

Vai! Corre!

Ela estava ali!

Ainda agora estava…

Eu vi, juro que a vi!

Caminhava de costas para a lua

Na esperança de fugir da noite

 

Tinha o cabelo enfeitado

Com as pétalas vermelhas

Das rosas que lhe deste

 

Cada passo que dava

Ficava marcado na areia

Para de seguida

O mar o levar para longe

 

O vento arrancou-lhe

O perfume que tinha colado na pele

E espalhou-o… ainda o posso sentir…

Sente… inspira… Sentes?

 

Levava nos olhos

A tristeza de quem se perdeu

Da própria sombra

E vagueia ao sabor do instinto

Que com ela seguia de mão dada

 

Vai! Corre!

Leva-lhe o brilho das estrelas

Leva-lhe a música

Que o teu coração toca

Sempre que as vossas almas se cruzam

 

Dá-lhe a vida que se forma

Nos teus lábios cada vez que sorris

Vai! Corre!

Diz-lhe que ontem não é hoje

Que as ondas não morrem

Apenas se transformam

Que os vossos sonhos também estão vivos

Prontos para serem desembaraçados

Vai! Corre…

 

publicado por SRock às 21:04
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2012

Gotas de suor

Deslizavam demoradamente

Sem que os ponteiros do relógio,

Na sua pressa de girar,

Se apercebessem que o tempo tinha abrandado

 

Como pedaços de veludo

Desprendidos em espirais perfeitas

Libertaram arrepios com sabor a mar

E cheiro a areia molhada

 

Dos poros rasgados na nossa pele

Soltaram-se uma a uma

Como salpicos de orvalho

Que nascem no primeiro grito da manhã

 

Os teus cabelos ensopados nos meus

Beberam dos mesmos riachos

Que arrastavam, em correntes de prazer,

Emoções que navegavam com rumo incerto

 

As minhas mãos entrelaçadas nas tuas

Transpiravam em poças de água quente

Onde não há horas contadas

Nem tempestades a conter

 

E nestas gotas de suor

Afogámo-nos em beijos

E encharcámos as nossas almas

De essências nuas de pudor

publicado por SRock às 01:45
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Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Manta de sonhos

As minhas pálpebras abriram-se

A meio duma noite

Em que apenas o silêncio

Me falava ao ouvido

 

Senti frio

E sobre a pele nua de sono

Estendi a minha manta de sonhos

Esquecida e enrolada a meus pés

 

Pedaços de fios entrelaçados

Em remendos de esperança

Cosidos com uma linha fina

De seda suave e frágil

 

E buracos rasgados...

Por onde sentia escapar o calor

Que aquece a alma

De quem vê para além dos olhos

 

Por onde sentia  passar o gelo

Que arrefece o sangue

Já sem forro

Por onde pudesse correr

 

E de mãos trémulas

Gritei no vazio da escuridão

E teci novos sonhos

Reforçados com nós que já não se desfazem

 

E num suspiro quente

Que adoçou os meus lábios dantes salgados

Adormeci vestida de sonhos

E despi-me de laços desgastados

publicado por SRock às 02:30
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Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Tempestade de areia

Do deserto chega um vento

Quente e seco...

Despenteia os meus cabelos

E aquece a minha alma

 

Sopra devagar

Em espirais que se elevam

Em ondas sem espuma

Que me atravessam

 

Quando vem e por mim passa

Escreve o teu nome nos grãos que piso

E trilha o meu caminho

Com a marca dos teus lábios

 

E os meus pés caminham desajeitados

Na pressa de o agarrar

Para que não se evapore

E com ele te arraste para longe

 

Grito por ti...

Recebo de volta o eco

Que soa como uma sombra

Sem rosto

 

E só depois...

Quando já não me despenteia

Percebo que afinal eras tu

Esta tempestade de areia

publicado por SRock às 23:28
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Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Folhas rasgadas

Folhas rasgadas

Pisadas

Arrancadas com fúria do livro da minha vida

 

Outras passadas a limpo

Mas sem que valesse a pena

 

Na capa apenas o título

'A minha história'...

 

Quem escreveu?

Alguém conhece o autor?

 

Não, não fui eu sozinha!

Não tinha imaginação para tanto disparate

Para tanta história com final trágico

 

Se escrevesse um livro

Teria apenas capítulos cheios de luz

 

Esperem...

Vejo uma página dourada...

Brilha...

 

Será possível?

De quem é esta mão que agora se apodera do meu livro?

Da minha vida? E que enche folhas sem parar?

 

Lá mais à frente ainda vejo muitas em branco

Ainda por escrever

Espero que do mesmo tom... dourado...

 

Vou ficar para ler... E para viver...

Não vou fechar este livro!

Afinal ainda não está acabado!

Ainda tem histórias para contar...

 

publicado por SRock às 00:48
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