Sexta-feira, 20 de Abril de 2012

Pensava eu...

Pensava eu que te tinha sonhado

Num sonho de encantar

Fruto apenas da minha imaginação

 

Pensava eu que te tinha amado

Numa música de embalar

Num suspiro suspirado… e suado…

 

E acreditei que sim…

Que te roubei o chão aos pés

Que te rasguei o medo de voar

 

Pensava eu…

 

Pensava eu que eram de seda

Os braços que me atracavam ao cais

Que eram de aço

As notas soltas que o teu coração ecoava

 

E acreditei que sim

Que a tua pele quente de canela

Saboreava com prazer o meu tom de baunilha

Numa mistura exótica de paladares

Que se fundiam e confundiam...

 

Que os meus olhos de esmeralda

Se deleitavam com os teus de azeitona

Pensava eu…

 

E acreditei que sim

Que os teus dedos longos

Se perdiam nos fios dourados dos meus cabelos

 

Que respirávamos do mesmo ar

Que beijávamos os mesmos lábios

Que segredavam palavras por decifrar

 

Pensava eu…

 

E quando me preparava para acordar

Para abrir os olhos e não te ver

Abraçaste-me mais uma vez…

E senti-te de verdade

 

Pensava eu que te tinha sonhado…

Mas tenho ainda em mim

O cheiro com que me enfeitaste

A marca do teu beijo

No meu pescoço perpetuada…

publicado por SRock às 00:46
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012

Fico assim...

Às vezes fico assim...

Quieta...

Num silêncio profundo...

Onde o tempo pára

E a noite fica longa...

 

E fico assim...

 

Sinto apenas o peso das pálpebras

Que se apertam agarrando a escuridão

Como se de um tesouro se tratasse

 

Sim, um tesouro...

Porque nela consigo vislumbrar-te...

 

Trincas o lábio de baixo

E sabes que me desconcertas...

 

Dois olhos negros

Despem-me num segundo

E fico sem segredos...

Sim, os teus...

 

Um sorriso provocador

Perturba-me sem piedade...

Sim, desenhado nos teus lábios carnudos

Onde me perco em beijos de algodão doce

 

Coças a cabeça

Sempre que não sabes

O que dizer a seguir

 

E eu...?

E eu fico assim...

A beber a cada momento...

 

E contenho um sopro de ar

Que não se consegue escapar

Quando acredito que ouvi

Agora mesmo... agora mesmo...

'Anda...'

E banho-me num arrepio

Que me desperta cada poro...

Um a um...

 

E fico assim...

publicado por SRock às 20:11
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Domingo, 15 de Abril de 2012

Sim, tu estavas ali...

Já estavas à minha porta

Quando cheguei...

Os meus olhos bateram nos teus

E a luz que irradiavam

Tirou-me da sombra

Onde me escondia

Cada vez que não sabia de ti...

 

Os teus lábios tocaram os meus

Num beijo suave de veludo

Onde tentei dizer-te tanta coisa...

Que tinha medo...

Mas que ainda acreditava,

Que sentia a tua falta...

Que precisava de ti...

 

Mas nem uma palavra

Consegui articular...

Tive esperança

Que no sabor do meu beijo,

Misto entre o doce da paixão

E o salgado da minha insegurança,

A mensagem fosse passada...

 

Tu fingias não entender

Sabias tudo o que me inquietava

Mas sorrias como quem diz:

'Anda... O que receias?... Afinal estou aqui...'

 

Sim, tu estavas ali...

Radiografavas-me entre cada piscar de olhos

Querias ler a minha alma

Mas o emaranhado de emoções

Fazia-te tropeçar

A ti e a mim...

 

A tua voz quebrou o silêncio

Como uma pedra atirada ao mar

Que desconhece a sua profundidade

E o impacto que vai provocar

 

Trouxeste à luz

Tudo o que guardavas só para ti

Eu fiz o mesmo...

Trocámos as chaves das caixas

Onde guardamos os medos

E os desejos...

 

Afinal é tudo tão simples...

Amar-te é simples...

Amar-me é simples...

Um abraço tem o poder

De derrubar muros que pareciam gigantes...

 

E uma paz imensa

Desceu sobre nós

E amámo-nos numa entrega única

Feita de confiança

Feita de certezas

 

Apagaste os meus soluços

Quando me aconchegaste

Num afago quente

Quando as tuas mãos

Grandes e apaziguadoras

Me devolveram o conforto

Que julgava perdido... sem retorno...

Sim, tu estavas ali...

publicado por SRock às 14:36
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012

No escuro da noite...

No escuro da noite

Posso chorar sem ninguém ver

Posso ficar enroscada

No quente da minha cama

Envolta em memórias

Que já não sei se vivi...

Ou se apenas sonhei...

 

Nunca vais saber

Ninguém o sabe

Só eu...

Eu e a fronha da minha almofada

Que serve de esponja

À água que os meus olhos vertem

E onde afogo as saudades

De curtos instantes

Que me soaram a eterno

 

E assim adormeço

Embalada pelos soluços

E pelo desassossego do meu coração

Que salta e estremece

Cada vez que oiço o silêncio

Onde me deixaste mergulhada

 

Os meus braços envolvem-me

E fazem o papel dos teus

Protegem-me e fingem não ser meus

Mas aqueles com que um dia

Me fizeste acreditar

Que me segurariam se perdesse as forças

E caísse...

 

Mas afinal são os meus

Que se erguem

E não me deixam tombar

 

São os meus

E não os teus...

 

Deles apenas me ficou

A sensação breve

Dum abraço forte

 

De ti

Um espaço vazio

No escuro da noite...

publicado por SRock às 21:51
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Domingo, 1 de Abril de 2012

Na relva ao luar...

Lembras-te daquela noite?

A lua estava cheia

Num céu frio de Janeiro

Em que as estrelas cintilavam

Como pirilampos numa noite quente de Verão

 

Lembro-me dos teus olhos...

Colados nos meus

Como ímanes que nos prendiam o olhar

Inundado de desejo

 

Do rio vinha o som calmo das águas

Que afagavam as suas margens

Em pequenas ondulações

Espelhadas de prata

 

A tua mão tocou na minha

Apenas por um momento

E as batidas do meu coração

Juntaram-se à melodia do Tejo

 

Do outro lado da ponte

Milhares de luzes de casas

De candeeiros de rua

De faróis de automóveis

 

Mas ali nada...

Só nós dois...

Sob um tecto de astros brilhantes

Com um manto verde aos nossos pés

Salpicado de pequenas gotas cristalinas

 

'Vamos rebolar juntos na relva?'

As palavras calaram o silêncio...

Sempre tive ideias loucas, bem sei...

Mas sempre bastou um 'sim' para ganharem vida

 

Lembro-me da tua expressão

De espanto, de vontade, de entrega

 

E sem hesitar

E sem eu esperar

Levaste-me nos teus braços

Até ao ponto mais alto da encosta

 

Deitados, enrolámo-nos num só

Abraçados...

Pela primeira vez pousei a cabeça no teu colo...

Ouvi a tua respiração no meu ouvido...

Senti o calor da tua pele...

 

Juntos, rebolámos no meio de gargalhadas

Que ecoaram na noite

Juntos rebolámos...

Na relva ao luar...

publicado por SRock às 17:32
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