Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Sentado na mesa do lado

Quantas vezes nos sentamos

À mesa dum restaurante

Ou de um café

E nem sequer tomamos atenção

A quem se sentou na mesa do lado?

 

Diria que quase sempre…

Principalmente se estivermos acompanhados

 

No entanto, noutra ocasião

Aquela pessoa poderia revelar-se uma surpresa

Podia ser um bom amigo

Alguém interessante com uma história de vida

Repleta de aventuras para partilhar

 

Naquele dia reparei…

Algures em Marvão num restaurante…

 

A Íris veio para o meu colo fazer desenhos

Enquanto os pais jantavam descontraídos

E conversavam entusiasticamente

 

Apesar da diferença da língua

Lá nos entendíamos

Ela espanhola, nós portugueses

Para uma criança de apenas 2 anos

O contacto é mais fácil

Porque ainda não existem as barreiras

Que nós adultos costumamos impor a nós próprios

 

O Miguel tirou-nos fotos

A Íris de olhos pretos e brilhantes

Rasgados num sorriso contagiante

 

Foi à mesa dos pais e voltou com um pedaço de guardanapo

Nele estava a morada em Cáceres

O convite para aparecermos um dia que passássemos

E um endereço de e-mail

 

Mandámos as fotos

Trocaram-se mensagens

Palavras cordiais, calorosas

 

Passou quase um ano

E quando o Miguel partiu e comecei a escrever o meu livro

Quis partilhar esta história

Contactei então o Jorge, pai da Íris

Contei-lhe o sucedido

Pedi-lhe para colocar aquela noite passada no restaurante

No livro que estava, e ainda estou, a escrever

 

Ficou chocado, sensibilizado, sem palavras

Disse que teria muito orgulho em poder fazer parte da nossa história

Apesar de breve, num restaurante em Marvão

 

Também ele estava a passar um mau bocado

Divórcio complicado, contactos mais reduzidos com a Íris

 

A partir desse momento

Eu e o Jorge partilhamos as nossas vidas

Através da troca de e-mails

Temo-nos ajudado mutuamente

Choramos as mesmas lágrimas à distância

Rimos juntos cada vez que um de nós dá um passo em frente

Somos verdadeiros amigos

Porque um amigo não tem que estar fisicamente perto

Por mais estranho que possa parecer…

 

Aprendi que se deixarmos fluir

Se não criarmos muros à nossa volta

Podemos encontrar alguém especial

Sentado na mesa do lado…

 

Obrigada Jorge!

publicado por SRock às 00:05
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2 comentários:
De Anónimo a 2 de Dezembro de 2011 às 23:28
História breve mas bonita.
Estou muito ansioso por ler o teu livro.
Escreves incrivelmente bem, uso metafórico e ao mesmo tempo directo.
É bonito.
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2011 às 00:18
Quando conheci o Miguel com aquele sorriso lindo e sincero (saudades) ..... conseguia cativar todo o mundo à sua volta... "um queijinho e um vinho nada mais" foi tão pouco tempo
Ainda bem que conheceram o Jorge tudo na vida tem uma justificação "quando Deus fecha uma porta abre uma janela" e a tua janela pode ser os amigos que tens à distancia pelo que vejo são muitos ... :)
Beijo grande
PG

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