Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Sentada num banco de madeira

Mais um mês, mais uma missa... e assim vai passando o tempo...

 

O tempo que não cura, ao contrário do que se diz...

 

O silêncio é ensurdecedor naquele espaço em que ninguém fala, em que se ouve cada respiração, o bater do coração e o pestanejar dos olhos.

Durante esses momentos há tempo para pensar em tudo... e para pensar em nada... para apenas esvaziar a mente... tarefa difícil!

A senhora na fila da frente ajoelha-se e reza de cabeça baixa e mãos em prece. O que pede, o que agradece, só ela sabe. Apenas se ouve uma ladainha impossível de decifrar mas que alguém lá em cima há-de entender se o mundo for perfeito. Que não é.

Até que o padre entra e todos se levantam. Este padre é diferente dos outros. Consegue transmitir paz, tranquilidade. Sente cada palavra que diz, medita em cada frase que pronuncia.

O seu olhar ilumina o mais escuro dos corações, a sua voz acalma a alma mais agitada.

Anuncia aos presentes que a missa é pela alma de Miguel Maria de Sousa e Melo. E um arrepio percorre o meu corpo de alto a baixo. É mesmo verdade... o meu Miguel...

'Que Deus esteja convosco', diz o padre... 'Ele está no meio de nós'... ecoam as vozes em uníssono...

Ele parece acreditar piamente no que diz... quem responde não tanto... Talvez apenas alguns sim, os outros apenas repetem uma frase que sabem que se diz em sequência da anterior. É um ritual. É assim há muitos anos e assim será por muitos mais.

 

As beatas cantam aleluia em vozes suaves e harmoniosas que ecoam nas paredes de pedra.

Recebe-se a hóstia e todos vão para casa mais aliviados, mais confortados ou exactamente na mesma como entraram.

Não foi perda de tempo, pelo contrário. Foi uma espécie de paragem no tempo para olhar um bocado mais para dentro de nós próprios. Quantas vezes nos permitimos fazê-lo? Quantas vezes estamos connosco próprios? Raramente... Esta é uma boa oportunidade de o fazer...

 

Daqui a um mês lá estarei novamente... sentada num banco de madeira...

 

 

 

publicado por SRock às 10:38
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1 comentário:
De toalhadelinho a 24 de Novembro de 2011 às 16:44
Nunca será em vão que te sentas nesse banco de madeira. Vais estar contigo e com ele. Se bem que eu imagine que estejas com ele todos os dias. Em pensamento. Em tristeza. Em angústia talvez. É uma homenagem. Um dizer "continuo aqui para ti". Mas, contrariamente ao que escreves, o tempo vai ajudar. Não a esquecer mas a atenuar a dor da perda.

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