Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

No seio de uma lágrima

Fruto de fortes emoções

Que fervilham e pulsam

A cada batida do coração

Nasce cristalina e quente

 

Brota num canto

Do espelho da alma

Que reflecte a imagem

De sentimentos

Que não se controlam nem explicam

 

Suavemente desliza

Sem pressa…

Num rosto marcado pelo tempo

Abrindo novos caminhos

Entre os seus sulcos

 

Um pedaço de mar salgado

Onde se guardam

Sorrisos, alegrias e tristezas

Onde se escondem

Fúrias e revoltas

Onde se dão abraços

E se trocam beijos de despedida

E de reencontro

 

Gritamos e choramos

Rimos e soluçamos

No seio de uma lágrima…

 

publicado por SRock às 01:12
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Rostos escondidos

Máscaras de ferro sorriem para mim…

Ou apenas os olhos que consigo vislumbrar

Na penumbra da sombra que reflectem

 

Voltam-se para mim quando passo

Fitam-me…

Olham-me como se procurassem entender-me

 

Escondem rostos que não se sabe de quem são

E espreitam em busca de respostas

Tentando desvendar emoções que ignoram

 

Desistiram de ser quem eram

Abandonaram o labirinto da vida

E perguntam-se como caminho sem máscara

Como exponho o meu rosto ao mundo

Sem segredos, sem medo de julgamentos

 

Despidas de verdade

Vivem na mentira

De exibirem o que não são

 

Permanecem no escuro

Privando de luz as suas almas

Que se apagam lentamente

E que se alimentam apenas

De observar quem se ergue das cinzas

 

E vivem assim…

De rostos escondidos…

  

publicado por SRock às 23:30
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011

De mãos vazias...

Cheguei ao mundo de mãos vazias

Vazias de sonhos

Despidas de emoções

 

Prontas para se encherem de vida

Para receberem histórias

Sentirem momentos

 

Estendidas e nuas

Esperam sem pressa

Dão e recebem

 

Não se fecham

Porque sabem

Que nada lhes pertence

 

Servem apenas de recipiente

Para se encherem e esvaziarem

 

Trago as minhas mãos vazias…

Nelas se escoa o tempo

Nelas se formam rugas

Testemunhas de que esse tempo corre

 

Com as minhas mãos vazias

Vivi, sonhei, viajei

Ri e chorei

 

Continuam aqui

Esperando sempre o que vier

 

E à espera fico eu também

De mãos vazias…

publicado por SRock às 22:46
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Terça-feira, 20 de Dezembro de 2011

De Salvador para Sofia

Nos teus olhos ainda vejo sonhos

Reflexos de luz de todas as cores

Olho para ti

E perco-me no encanto do teu sorriso

 

Carregas contigo um brilho próprio

Como o de uma estrela

Que pulsa no universo

 

Os teus medos são a tua teia

Que te prende

E não te deixa viajar

 

E as teias são tão fáceis de romper…

 

Mas a tua é sólida

Vives dentro dela

Como um peixe num aquário

Que nunca sentiu a bravura das ondas

E das correntes que arrastam para outros lugares

 

Pode até ser nesse aquário

Que te sentes segura e protegida

Mas não é nele

Que podes enfrentar outros desafios

Que te podem dar oportunidade

De sorrir com a alma

De dentro para fora

 

Respira fundo e segue

O caminho nem sempre é a direito

Por vezes existem buracos bem fundos

Caímos neles

Mas levantamo-nos

Sacudimos o pó

Saramos as feridas e continuamos

 

Vale sempre a pena seguir...

Tu foste o meu caminho com flores!

Dele guardo o cheiro

As emoções de cada passo

 

Pensa no caminho das flores

E sorri…

E continua a caminhar…

Sem olhar para trás…

publicado por SRock às 08:00
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Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Porque o tempo não espera

Será que vale a pena

Continuar a remar para ali

Quando a corrente me arrasta para o outro lado?

 

Vale a pena correr contra o vento?

Vale a pena ir para lá

Quando todos vêm para cá?

 

Já não sei nada…

Às vezes apetece-me deixar ir

Mas dizem que não devo…

Devo lutar

Devo ser forte

 

Alguém sabe o que é ser forte?

Então que me diga por favor

Porque eu não sei

 

É fingir que nada se passou?

É isso?

É continuar a sorrir?

Mesmo quando a vontade é de chorar?

 

Se é isso…

Consigo às vezes

Só às vezes…

 

Depois, quando fico sozinha

E deixo cair a máscara

Está lá tudo…

Estão lá as lágrimas que não secam

Está a dor que toda a gente diz

Que o tempo apaga

 

O tempo não apaga nada…

Garanto que não…

 

E não há nada que consiga disfarçar

Uma alma que grita em silêncio

Cujo som é abafado pelas rotinas

Que não esperam…

 

Que obrigam a erguer a cabeça…

Tudo forçado…

Porque o tempo não espera…

publicado por SRock às 08:58
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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

Nas asas dos meus anjos

Quando se fala em anjos

Viaja-se para outra dimensão

Bem distante desta onde nos encontramos

Algo como o Céu, o Paraíso…

 

Isto para quem acredita em anjos celestiais…

 

Eu acredito mais nos anjos de carne e osso

Não têm que ser loiros nem ter olhos azuis

Nem precisam de saber tocar harpa

E tenho a bênção de conhecer alguns

 

Pegam-me ao colo quando caio

Deixam pegadas no meu caminho

Dão-me a mão quando está fria

Ouvem-me quando preciso de falar,

Seja de dia ou de noite…

Abraçam-me e secam-me as lágrimas

Sabem como me sinto sem ter que falar

Riem-se quando me vêem feliz

 

E eu bebo dos seus sorrisos

Partilho com eles sonhos e pesadelos

E no sopro das suas vozes

Suave e doce nos meus ouvidos

Deixo-me voar nas suas asas…

publicado por SRock às 23:22
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Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

Palavras

No silêncio da noite

Quando apenas o luar me ilumina

E as estrelas me espreitam

Páro para pensar nas palavras que disse

Ou que deixei de dizer...

 

E fico feliz quando me apercebo

Que tenho dito

Aos que me rodeiam

Aos que fazem parte da minha vida

O que sinto

O que vai dentro de mim

 

Um 'obrigada'

É um reconhecimento

A alguém que de certa forma

Me proporcionou algo de bom

 

Quando digo 'amo-te'

Aos meus amigos

Eles ficam a saber o carinho

Que nutro por eles

 

Quando digo 'tenho saudades'

Expresso a falta que alguém me faz

A importância que a sua presença tem para mim

 

Quando digo 'estou triste'

Despejo a minha alma

E procuro um conforto

 

Quando digo 'hoje estou feliz'

Também faço alguém feliz

Porque me quer bem

 

E pergunto

Quantos o fazem?

 

Porque é que as pessoas têm tanto medo de dizer certas palavras?

Porque as querem guardar para momentos especiais?

Porque não têm coragem de as dizer?

Para todos os momentos existem palavras certas...

 

É bom olhar para trás e saber que as disse

E que as digo quando as sinto

 

As palavras não se gastam

Os sentimentos também não

 

Dizer palavras

Definir emoções

Liberta-nos

 

Se não as disser hoje

Quando as sinto

Terei oportunidade de dizê-las mais tarde?

Pensamos sempre que sim...

Mas nem sempre isso é verdade

 

As palavras não são apenas letras ordenadas

Quando ditas e sentidas

Com verdade

Com alma

São capazes de nos mudar

Poque as dizemos

E de mudar os outros

Porque as escutam e sentem...

publicado por SRock às 23:00
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Domingo, 11 de Dezembro de 2011

A minha avó Vina

'Então não foi tão bom Soninha?

Eu acho que foi muito bom!'

 

Era sempre assim...

Quando eu espirrava

Por ter andado descalça

Depois de ouvir infinitas vezes

'Ao menos calça umas meias'

 

As rugas não correspondiam

Ao espírito jovem

De uma avó

Que andava na universidade

 

Tornou-se mais forte

Quando a vida a desiludiu

Não se entregou

Não se deu como vencida

Nunca!

 

Sempre ergueu a cabeça

E caminhou...

Segura

Firme

 

Com quase trinta anos

Ainda ia para o colo dela

'Avó, conta-me quando eu era pequenina

E cheguei de Angola'

 

E pela milésima vez

Enquanto me fazia festas no cabelo

Repetia as mesmas histórias

Que eu já sabia de cor

 

'Vinhas muito magrinha

Muito doentinha

Com os teus olhinhos azuis

Muito apagadinhos

A avó tinha feito mioleira com ovos

Para ti e para o teu irmão

E tu comeste o teu e o dele

Assim que mudaste de ares

Ficaste logo outra menina'

 

E contava tudo

Como se fosse a primeira vez

E os meus olhos brilhavam

Por ver reflectidos nos dela

As imagens que relatava

Com saudade...

 

'Vive sempre o momento presente

Porque logo é passado'

Dizia-me com o ar sábio

De quem já cá estava há muito tempo

 

Há 13 anos que foste embora avó

Mas todos os dias me lembro de ti

E serás sempre um grande exemplo

De Mulher!

 

Amo-te avó Vina...

publicado por SRock às 11:06
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Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Um sonho

Um sonho perdeu-se

E desvaneceu-se…

Afogou-se nas lágrimas

De quem o teceu

 

Ficou para sempre

Apenas como um sonho

Ficou para sempre

Abraçado na fraqueza

De quem já não tem

Forças para o abraçar

 

Um sonho deixou de brilhar

Perdeu o pulsar…

Desfez-se nas margens

Dum mar tempestuoso

Que o arrastou para longe

Para no seu fundo o enterrar

 

Dele ficou tão somente

A memória

Ficaram notas de música soltas

Que nenhum piano já consegue tocar

 

Um sonho perdeu-se

E desvaneceu-se

Ficaram mudas as ondas

Que agora gritam em silêncio

Guardando um segredo

Para sempre por desvendar

publicado por SRock às 15:08
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Domingo, 4 de Dezembro de 2011

Voo

Voo como um pássaro livre

Rasgo o azul do céu por onde passo

 

Não tenho medo de voar

Não tenho medo de cair

 

Só quero caminho aberto

Para abrir as minhas asas

 

Para me libertar do peso

De ter os pés no chão

 

Quero voar

Num azul sem grades

 

Furar nuvens

E cruzar tempestades

 

Não quero voar em bando

Quero voar sozinha

 

Não quero seguir caminhos

Previamente definidos

 

Quero voar

Para onde o vento me levar

 

Deixar pintar as minhas penas

Com as cores do arco-íris

 

Quero sentir a brisa do mar

A salgar as plumas com que me visto

 

E à noite, já cansada

Regressar ao meu ninho… 

publicado por SRock às 21:21
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